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Grupos oficiais ultimam desfiles desta terça-feira PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Ricardo Sousa   
Terça, 21 Fevereiro 2012 10:47

Grupos oficiais ultimam desfiles desta terça-feira

O Carnaval em São Vicente atinge hoje, terça-feira, 21, o seu ponto máximo. Por estes dias, já se assistiu a muitos desfiles de grupos de mandingas e de bairros, escolas e jardins a animar as ruas e periferias do Mindelo. Mas a notícia que aqueceu os "estaleiros" foi a decisão surpreendente da Câmara Municipal, que resolveu atribuir mais 200 contos a cada um dos cinco grupos oficiais, aumentando para 1200 contos a contribuição autárquica para a festa do Rei Momo, uma das maiores manifestações culturais da ilha e do país. O presidente da Câmara de São Vicente justifica este “reforço” de verba com a importância do Carnaval na ilha. Augusto Neves fez saber que um valor simbólico também foi atribuído a cada um dos cerca de 60 grupos de animação, que desde a quarta-feira, 15, animam a cidade. Já os grupos oficiais relaxam finalmente de dias e noites de trabalho e preparam-se para espalhar a alegria contagiante e o swing da batucada, na expectativa de estar, à hora prevista, na passarela do Mindelo.

A armação dos andores nos estaleiros e a confecção dos trajes recebem os acabamentos finais. O único lamento nesta altura, é o pouco dinheiro que entra a conta gotas, o que dificulta a compra dos materiais ainda em falta e o pagamento diário dos operários. Ana Silva, presidente do Flores do Mindelo, explica que o grupo começou a trabalhar em Novembro, criando os desenhos e as peças da indumentária do Rei e da Rainha, que são mais trabalhosas. E, neste momento, estão a trabalhar a todo gás para deixar tudo pronto.

“Vamos desfilar com três andores, que vão contar a história da ’Cultura de nôs ilhas’, principalmente de São Vicente e Santiago. Contamos ter pelo menos 800 figurantes. Só dos grupos de dança de São Vicente já recebemos cerca de 200 inscrições. Tudo é uma questão de dinheiro. Um andor custa cerca de 350/400 contos, mas também temos de pagar aos trabalhadores – salário, comida, bebida e cigarros”, explica esta senhora do Carnaval mindelense.

Na mesma linha segue Dulce Lima, presidente do Estrelas do Mar. Há quatro anos sem colocar o grupo na rua, o trabalho desta mulher persistente é mais complicado porque nem sequer pode contar com as “sobras” dos carnavais anteriores. “O trabalho está quase concluído. Estamos a fazer tudo para que esteja tudo a postos na hora do desfile. Estamos confiantes. Vamos honrar a história e o nome do grupo. Temos como tema ’Nôs Mar’, que será contado em dois carros alegóricos. A música é de Constantino Cardoso”, revela.

’Uma Viagem pelo Interior do Corpo Humano’ é o que propõem os jovens do Cruzeiros do Norte. Jailson Djuff informa que abriram os seus estaleiros desde finais de Dezembro. Inicialmente o ritmo era mais lento por falta de dinheiro, mais precisamente do subsídio da Câmara, que só entrou em prestações, em finais de Janeiro e na primeira quinzena de Fevereiro. “A nossa música foi escrita pelo Zé Bentub. Vamos ter três andores, entre 700 a 800 figurantes. O samba-enredo é da responsabilidade de Fernando ’Noya’ Morais”.

Com a força de ser um dos bairros mais populosos de São Vicente, o Monte Sossego vai fazer uma ’Viagem ao Universo’ neste Carnaval 2012. O arranque dos ensaios foi marcado com um “assalto” às ruas do Mindelo. Agora, mais tranquilo, Zeca Reis (presidente do grupo) explica que vão trazer dois andores e desfilar com mais de 400 figurantes, incluindo emigrantes que já manifestaram interesse em integrar o grupo. As músicas são assinadas por Vlú e por um jovem que o grupo está a lançar.

De todos os grupos ouviu-se a mesma reclamação: a falta de apoio para preparar a festa carnavalesca, agora minimizada com o aumento da contribuição da CMSV. A ajuda dos privados é quase nada, e a verba pública – também considerada curta - chega sempre em cima da hora.

Constânça de Pina
 

 

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