| JORNALISTA CABO-VERDIANO É TESTEMUNHA DE “COMPRA DE VOTOS” |
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| Escrito por Ricardo Sousa |
| Terça, 16 Agosto 2011 07:05 |
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JORNALISTA CABO-VERDIANO É TESTEMUNHA DE “COMPRA DE VOTOS”
Daniel Almeida, jornalista de A Nação, sem papas na língua afirma ter presenciado compra de votos promovida por uma candidatura e explica a razão de a culpa morrer solteira: “os que deviam investigar sabem o que podem encontrar”…
Praia, 15 de Agosto – Nesta segunda volta das eleições presidenciais cabo-verdianas, a comunicação social além fronteiras começa a “destapar o véu” do lado mais obscuro da campanha eleitoral, trazendo a público factos e depoimentos de várias personalidades da nossa sociedade. É o caso da edição de 12 de Agosto do portal PNN - Portuguese News Network. Efectivamente, nesse dia, em peça intitulada “ «Compra de votos» em Cabo Verde”, o PNN insere depoimento do jornalista cabo-verdiano Daniel Almeida, onde este refere expressamente: “Pude constatar um caso, na zona de Monte Vermelho, Praia, em que indivíduos ligados a uma candidatura distribuíam dinheiro e outros brindes, em troca de bilhetes de identidade”. Segundo o ex-jornalista da RTC, actualmente exercendo funções no semanário A Nação, “esse fenómeno começou na década de 90 e hoje alcançou níveis preocupantes, com o envolvimento dos principais partidos políticos e do próprio Governo, através de Direcções-Gerais, Institutos, Fundações e Associações Comunitárias”. Ainda segundo Almeida, “para se meter mão nisto, com seriedade e isenção, seria necessário trazer ao de cima nomes de políticos”, acrescentando que “os que deviam investigar sabem o que podem encontrar”. Para o jornalista, “eles aproveitam-se de situações de pobreza” e considera que “para travar o fenómeno de compra de votos é necessário adoptar políticas sociais fortes que conduzam à erradicação da pobreza”. COMPRA DE VOTOS INSTITUCIONALIZADA Na peça deste portal luso, refere-se ainda que “num país de fracos recursos, onde grande parte da população é pobre, não é preciso muito para conseguir mais votos. A estratégia passa por entregar materiais a associações e ONG ou avançar com alguma forma de contrato entre o vendedor e o comprador, que recebe o dinheiro acordado depois de comprovar ter votado neste ou naquele candidato ou partido”. Para o pastor evangélico e activista social Daniel Monteiro – também ouvido pelo PNN -, a compra de votos tende a “institucionalizar-se”, porquanto” todos os que possuem alguma capacidade financeira fazem-no, cada um à sua maneira”.
Segundo o jornal online, “uma semana após as últimas e mais unânimes denúncias, a Comissão Nacional Eleitoral, Polícia, o Ministério Público e a ministra da Administração Interna não se pronunciaram sobre o caso”, apesar de “um dos membros do PAICV e ex-deputado da nação, Miguel Costa, [ter abandonado] o partido do qual era militante há 37 anos, denunciando o que considera ser o «lado negro» do PAICV: a compra de votos por parte de apoiantes de Manuel Inocêncio Sousa”, e de “a acusação mais contundente [ter partido] da candidatura de Aristides Lima, que apontou os apoiantes de Manuel Inocêncio Sousa como «compradores de votos», através da primeira secretária da mesa da Assembleia Nacional, Nilda Fernandes, e de várias associações e ONG que receberam dinheiro do Governo nas vésperas da eleição”, refere ainda o Portuguese News Network . |


