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Senhor Tuia: Um cabo-verdiano de gema que faz tudo em Angola PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Ricardo Sousa   
Quarta, 15 Fevereiro 2012 10:05

Boaventura Dias, o “Senhor Tuia”, nome por que é apelidado em Malanje, é um cabo-verdiano de gema que reside há 48 anos em Angola, 42 dos quais nesta província do Nordeste do país. É proprietário da maior fazenda de hortofrutícolas da província, mas sublinha que não come repolho, cenoura, pepino, pimento, nem tão pouco faz uso de óleo de palma. Diz também que não consome bebidas alcoólicas, não fuma e que nunca fez uso de drogas, não fosse ele também um desportista nato. Boaventura Dias é um nome que pode não dizer nada para muitos angolanos, mas que na verdade é do domínio de muitos malanjinos, pelos muitos anos de vivência que o seu detentor carrega nos ombros nesta cidade da Palanca Negra Gigante.

Dos costumes da terra que o viu nascer, guarda apenas o “funaná”, a “morna”, a “coladera” e o seu bom crioulo, que nenhum dos seus dezasseis filhos aprendeu. “Por causa da grande vivência em Angola e em Malanje, esqueci-me da cachupa”, disse. De trato fácil e brincalhão por excelência, o “Senhor Tuia” lembra que, em 42 anos de vivência em Malanje, frequentou 22 casas.

O interlocutor do Jornal de Angola sublinhou também que já fez três empréstimos bancários, mas que, mesmo autorizados, nunca chegara a levantar nenhum. E disse mais: “estou há 17 anos na Adra, consegui aguentar vivo e sem sofrer de tensão de chefes como Fernando Pacheco, Silas, Quim Fernandes, Manteiga e a dona Cândida”.

Marcador de penalties

Em conversa com o Jornal de Angola, este cabo-verdiano há muitos anos em Angola fala também do seu percurso como desportista e particularmente como futebolista. “Joguei nas equipas sportinguistas de Luanda, Maianga, da Cela e do Huambo, respectivamente”, frisou, recordando também que marcou 45 penalties, antes de falhar o primeiro destes na sua trajectória como futebolista.

Outro aspecto que guarda bem na memória em termos desportivos tem a ver com um jogo realizado no Estádio dos Coqueiros, antes da Independência Nacional. “Nesse jogo, actuei como titular da selecção de Malanje diante do Progresso e estava um senhor chamado José Eduardo dos Santos sentado no banco da equipa do Progresso do Sambizanga”, assinala.

Filho de Pedro Rodrigues Tavares e de Virgínia Dias, Boaventura Dias obteve a nacionalidade angolana, exibindo hoje, em consequência disso, o bilhete de cidadão nacional número 00064785OE031. Além de se dedicar à actividade agrícola, desde a sua chegada a Angola em 1962, com dezoito anos - e isto após uma curta passagem por Portugal -, o mais velho Tuia experimentou outras tarefas na então província ultramarina lusa.

“Como era sargento e mecânico de especialidade, nunca cheguei a fazer um combate”, lembra o “Senhor Tuia”, recordando também que dos dezasseis filhos que tem hoje, além de uma que faleceu por atropelamento em Malanje, nove são raparigas e sete rapazes. E disse mais: “dois deles nasceram na Cela, Kwanza-Sul, e os restantes em Malanje”.

Outro facto que guarda tem a ver com a única passagem por Cabo Verde desde que se radicou em Angola. Nesse sentido, lembra que passara em trânsito pela terra natal em 1986, quando se deslocara a Cuba “para fazer um curso de multiplicação rápida da mandioca”. “Não houve tempo para chegar a casa”, disse ao Jornal de Angola.
 

Actualizado em Quarta, 15 Fevereiro 2012 10:11
 

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