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NOVO RUMO, NOVAS POLÍTICAS PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Ricardo Sousa   
Terça, 08 Novembro 2011 12:07

A ideia que se tem é a de que o País fechou para balanço. Os grandes problemas nacionais continuam sem resposta de um Governo que, apesar do curto tempo de vida, parece demasiadamente cansado para acorrer às doenças da Nação, congregando vontades, mobilizando os cidadãos para os grandes desígnios que temos pela frente: dar combate à crise, apostar no desenvolvimento e fazer caminho para o progresso social. E é o próprio Primeiro-ministro que dá uma imagem de desânimo, de cansaço, de vontade de ir embora. Ora, não seria má ideia que lhe fizéssemos a vontade.


Os problemas da energia, o drama da escassez de água continuam aí, gritantes, como punhal espetado na impotência dos governantes e na incompetência dos gestores públicos. Os cabo-verdianos continuam prisioneiros de suas casas, com as ruas tomadas pela insegurança e os frigoríficos cada vez mais vazios. Os comerciantes, mesmo os da restauração, continuam a ver escorrer, como um rio para o mar, os seus clientes que dia a dia vêem esvair-se o seu poder de compra.


Fora a retórica ocasional, a verborreia da propaganda, se não mesmo a mentira, o Governo de José Maria Neves não apresenta um plano claro para contornar a crise, cuidar das necessidades emergentes, acudir ao depaupero das economias familiares. A mesinha de JMN e da sua ministra das Finanças e do Plano limitam-se a apelos ocasionais à poupança, como se sobrasse alguma coisa aos minguados salários dos trabalhadores e às deficitárias caixas das empresas. Porque, em abono da verdade, a ordem inverteu-se: sobra mês aos salários de miséria dos cabo-verdianos.


Já se percebeu que o Primeiro-ministro não está à altura dos acontecimentos. José Maria Neves é “bom” a governar com o bolso cheio da ajuda internacional ou das poupanças dos emigrantes. Com o dinheiro a escoar-se pela crise endémica que vivem nossos parceiros, com o desemprego que já afecta os emigrantes a reduzir as suas remessas, o Governo e o seu chefe movem-se erraticamente, à espera que a sorte produza o volte face que a sua incompetência não consegue antecipar.


O Governo tem poucos meses de existência, é certo, mas as suas políticas têm mais de uma década e manifestam-se esgotadas. E os cabo-verdianos não podem ficar à espera que uma putativa, mas pouco previsível, vitória do partido do poder nas autárquicas, salve JMN do descrédito interno e lhe permita aguentar-se mais uns tempos num PAICV que já está farto dele e num país que aguarda a hora em que o possa ver pelas costas.


É ao PAICV, um partido maduro que conta com gente capacitada – embora arredada dos corredores do poder pela facção de Neves – que compete encontrar uma saída para o desnorte governativo. É ao PAICV que compete demonstrar ao país que não se move por uma lógica eleitoralista e que, ao contrário de ser parte do problema, está do lado da cura. Neste momento, é ao partido tambarina, mais do que à oposição, que compete encontrar uma alternativa para a governação e uma saída para a crise.


Seguramente, o Presidente da República – que tem vindo a mobilizar os cidadãos para os grandes desígnios nacionais – estaria disponível para dar cobertura institucional a um novo Governo capaz de dar resposta às necessidades do país.


Liberal
 

 

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