| Cabo-verdiana em julgamento na Suíça por tráfico humano |
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| Escrito por Ricardo Sousa |
| Domingo, 27 Novembro 2011 09:03 |
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Cabo-verdiana em julgamento na Suíça por tráfico humano
Uma cidadã cabo-verdiana de 57 anos está a ser julgada pelo Tribunal Penal Federal da Suíça por tráfico humano, lenocínio e lavagem de dinheiro. A mulher, que tem como supostas comparsas duas suíças, é acusada pelas autoridades locais de liderar uma rede internacional que entre 2001 e 2006 forçou pelo menos 143 brasileiras a se prostituírem nos bordéis da pequena cidade de Soleure. A emigrante cabo-verdiana, assim como as suas comparsas, negam o seu envolvimento no esquema, mas a polícia suíça apresentou ao Tribunal Penal Federal em Bellinzone provas em como durante vários anos (de 2001 a 2006) elas forçaram pelo menos 143 brasileiras a se prostituírem nos bordéis de Soleure, uma pequena cidade de pouco mais de 15 mil habitantes localizada no Norte da Suíça. O Ministério Público daquele país, citado pelo jornal Tribune de Genève, afirma que o trio criminoso atraía as jovens brasileiras com falsas promessas de trabalho na Europa. As vítimas disseram ao Tribunal que chegaram à Suíça convencidas de que iriam trabalhar como babás ou empregadas domésticas. Só que, para sua surpresa, foram literalmente trancadas em bordéis, onde eram forçadas a se prostituir para poderem reembolsar o dinheiro da viagem. O grupo criminoso cobrava a cada brasileira uma média de 9 mil francos suíços (800 contos), dinheiro que deveria cobrir, além da viagem, o montante que lhes enviavam antecipadamente para poderem passar na Fronteira, fazer o desembarque e comprar utensílios higiénicos e de primeira necessidade. E enquanto não pagassem até ao último tostão não poderiam livrar-se dos seus algozes. Daí também a acusação de cárcere privado que pende sobre esta organização criminosa. A cidadã cabo-verdianda, segundo o jornal Tribune de Genève, fazia a intermediação (a língua comum ajudava-a nessa tarefa) e acompanhamento das adolescentes recém-chegadas, enquanto que as suíças (uma de 63 e outra de 61 anos) se ocupavam da parte logística, fornecendo o dinheiro para a passagem e controlando os bordéis. E como o esquema do tráfico internacional de pessoas, ia de vento em popa, as agora arguidas começaram a explorar outros filões do negócio do crime: assim entraram na via da falsificação de dinheiro e comercialização de material pornográfico, crimes sobre os quais ainda o Ministério Público da Confederação Suíça continua a reunir provas para formalizar a acusação. Por ora, a cabo-verdiana e as suas companheiras respondem no tribunal de Bellinzone por tráfico de seres humanos, lenocínio (lucrar com a prostituição), lavagem de dinheiro e associação criminosa.
O julgamento, que começou esta segunda-feira, deve prolongar-se por mais alguns dias. Todas as partes terão já sido ouvidas ao longo desta semana, pelo que já na próxima semana a Procuradoria e os advogados de defesa apresentarão as suas alegações finais. O veredicto do Tribunal Penal Federal de Bellinzone será conhecido nos primeiros dias de Dezembro. |



Começou esta segunda-feira em Bellinzone, na Suíça, o julgamento de uma associação criminosa que vinha operando no tráfico de mulheres para prostituição naquele país europeu. O grupo, que inclui duas cidadãs suíças, ambas com mais de 60 anos, e a cabo-verdiana de 57 anos, é acusado de tráfico de seres humanos, lenocínio (ou proxenetismo, prática ilícita que consiste em favorecer ou facilitar, profissionalmente ou com intenção lucrativa, o exercício da prostituição) e lavagem de dinheiro.