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Escrito por Ricardo Sousa   
Segunda, 13 Dezembro 2010 17:27

Entrevista – Nuno Levy / Nacional / Detalhe de Notícia

Entrevista – Nuno Levy

Estado concorre com privados

É possível criar um cluster para as Tecnologias de Informação e Comunicação em Cabo Verde. Mas é preciso tempo e infra-estruturas fiáveis de energia e Internet. Mercado e ideias também há. Mas é preciso que o estado crie um plano global. É uma aposta segura para o futuro. Mas é preciso que o sector público não estrangule o sector privado à nascença. Nuno Levy é um jovem empresário cabo-verdiano na área das novas tecnologias - serviços para websites e telemóveis - participou no último Fórum Sociedade de Informação e Conhecimento, e é um defensor da qualidade humana e técnica do país. No entanto, avisa, há um caminho longo a percorrer, e que exige a cooperação de todos os operadores no terreno.


Expresso das Ilhas - Os clusters e as tecnologias de informação e comunicação em Cabo Verde, o país tem capacidade para construir este cluster?

Nuno Levy - Antes de mais, não existe cluster sem empresas, o primeiro ponto será então envolver as empresas, porque o cluster será feito por empresas. Temos de ter uma política clara sobre como é que vai haver incentivos à criação de empresas TIC e esses incentivos não existem. Nem a política que diga exactamente como vai ser. Para fazer clusters, precisamos de parques digitais para empresas, que não há. Há iniciativas para fazer parques, mas para a administração pública, a academia e, no final, para empresas. Há que ter um enfoque nos privados.

Inverter prioridades?

A prioridade é sempre o desenvolvimento, mas há que inverter os actores, é mais nesse sentido. E também há que diferenciar. Queremos fazer um cluster para a promoção de serviços de e-gov, sobretudo em África, aproveitando a experiência que nós já temos, mas no momento não se diferencia entre a entidade que executa o e-gov e a entidade que promove o cluster. Do meu ponto de vista, essas duas competências chocam, deviam ser duas entidades distintas.

Estamos a falar do NOSI, neste caso?

Claro.

Devia ser o NOSI e os privados?

No momento, o NOSI tem duas competências, a de executar os serviços de governação electrónica, e ao executar toma determinadas posições, determinadas escolhas, que podem não estar de acordo com a sua outra competência que é a de promoção. É nesse sentido que eu acho que tem de haver uma separação. Não pode fazer o papel de árbitro e jogador ao mesmo tempo.

Além do e-gov, que outros serviços podia Cabo Verde exportar?

Há muito ainda para ser explorado. A sociedade de informação é uma sociedade para as pessoas e eu acho que temos uma pequena vantagem em relação a outros países, sobretudo de África. É que, bem ou mal, temos uma capacidade intelectual de bom nível. Temos vários quadros. Essa sociedade de conhecimento tem a ver com as pessoas, com o conhecimento intelectual. A partir daí, podemos ver o que esse capital humano pode exportar, sem estar a pensar sempre na tecnologia, porque temos esse enfoque na tecnologia e as TIC servem para que as pessoas se desenvolvam e melhorem a sua qualidade de vida.

Quando se pensa em TIC vem-nos sempre a programação de software ou a criação de hardware, mas é um mercado vasto, certo? Há espaço para a arte, por exemplo?

Cultura, música, e-business, e-comerce, são várias áreas em que podemos desenvolver-nos, mas não existe é algo claro em que se deve apostar.

É preciso um plano?

Claro, um plano, um programa de acção concreto. Não um projecto conceptual, tem de ser algo específico, com datas, com objectivos e com monitorização desses objectivos. Por exemplo, estava previsto a criação do Observatório da Sociedade de Informação e Conhecimento, faz parte do PESI [Plano Estratégico da Sociedade de Informação], nunca foi feito, ora esse observatório serviria para observar, para monitorizar, sugerir correcções, porque não temos estudos sobre o ponto em que estamos, nem sabemos, em termos práticos, onde devemos focalizar a nossa atenção.

Quase responde à minha próxima pergunta que é em que ponto está todo este processo? 

Nós somos muito exigentes, mas é verdade que a sociedade do conhecimento é tudo, são os privados, as ONG, o estado também, claro. Mas aqui temos a impressão que a sociedade e esse desenvolvimento só advêm dos serviços de e-gov, o que não é verdade. Por exemplo, no sector das telecomunicações somos muito fortes. Hoje em dia mais de oitenta por cento tem acesso a telemóveis. Isso é extraordinário.

E há uma quantidade grande de serviços que podem ser vendidos a esses utilizadores.

Exacto. Portanto, existe já um sector privado forte e desenvolvido. Mesmo a Internet é um sector privado. E muitas vezes isso passa fora da discussão. Estamos sempre a falar de soluções de e-gov mas também há tecnologia que serve mais pessoas que qualquer solução de e-gov. E há ainda um capital humano, se adicionarmos os trabalhadores da T+, CVTelecom, CVMultimédia, são centenas de pessoas com conhecimento adquirido e altamente tecnológico. Não devemos esquecer-nos dessa parte, que é muito importante, mas é também muito subaproveitada, nas iniciativas de promoção da sociedade de informação.

Em termos concretos. Para arrancar, a sério, um cluster em Cabo Verde o que é preciso neste momento?

Há que escolher o nosso enfoque. Somos um país pequeno, não podemos pretender que vamos fazer mil e uma coisas, não temos capacidade. Portanto, temos de escolher onde vamos apostar. É claro que a escolha não vai agradar a todos, mas uma vez feita, há que arrancar.

Criar uma especialização nessa área?

Exactamente. Agora, eu proporia outros serviços, para além do e-gov, e refiro-me a serviços para telemóvel. Essa é a ferramenta em África, não é o computador. O computador é bom para a Europa e para os países desenvolvidos. Em África é o telemóvel. Nós pretendemos é conquistar o mercado africano, não vamos conquistar a Europa. O telemóvel é um gadget universal, todos o têm, seja Botswana, seja Angola. Mas, nem todos têm um computador. E usar o telemóvel é muito fácil, nem é preciso saber ler e escrever para o utilizar.

E se em Cabo Verde os computadores são entre 7 e 8 mil, já os telemóveis são cerca de 400 mil.

Um telemóvel custa dez vezes menos que um computador. E faz tudo o que o computador faz, inclusive acesso à Internet. A rabidante, a vendedeira, a peixeira, qualquer um pode ter um telemóvel. É mais fácil.

A questão é oferecer produtos que lhes sejam úteis?

Exacto.

A criação de clusters obriga a um plano a longo prazo - 10, 15, 20 anos - os operadores cabo-verdianos estão preparados para trabalhar durante um período assim tão longo?

Essa construção vai levar, de facto, esse tempo, e nós pensamos mais a curto prazo. É uma questão de adaptação e aprendizagem, porque na verdade o salto vai para além de uma ou duas legislaturas e vai depender de uma liderança suportada por todos. Li há pouco um relatório sobre a Coreia do Sul, um dos países mais avançados em termos de informação e conhecimento, e o seu plano começou em 1984, com metas bem precisas e monitorização, e isso é que nos falta, reagimos muito a impulsos.

Quando eu falo se estão preparados, refiro-me também em termos económicos, se as empresas podem esperar este tempo todo sem falirem, por exemplo.

Não sei. Para além do sector das telecomunicações, o parque das empresas digitais é muito reduzido e é muito jovem. Não existem estatísticas, mas se formos ver as empresas de TIC em Cabo Verde terão uma média de 2/3 anos, é insuficiente para qualquer empresa se afirmar, e a verdade é que muitas fecham no segundo ou no terceiro ano. Não há uma aposta clara no desenvolvimento desse sector empresarial, não há. Não há plano de negócios, não há nenhuma iniciativa do estado, de promoção de incentivo às empresas TIC. São iniciativas soltas mas falta um plano concreto. 

Qual é a solução?

A solução é envolver o sector. Planear se daqui a cinco anos teremos umas cinquenta empresas, quanto emprego vão gerar. Essa planificação não existe.

Juntar as empresas num local, uma espécie de Silicon Valley, seria viável?

Os parques digitais para empresas, têm a sua valia, porque quando se está num espaço destes, a minha empresa vai fazer um pedacinho, mas outra empresa fará outro pedacinho, e com essas partes constrói-se uma indústria TIC. Ter tudo concentrado auxilia até a realização de contractos.

Por outro lado, empresas TIC, para um país como Cabo Verde, faz com que a geografia deixe de ser um problema.

Exacto, mas isso também é um processo social. Quando há essas rupturas geográficas cria-se um stress em algumas estruturas já pré-estabelecidas. Por exemplo, alguém diz, essa profissão já não faz sentido, e isso cria um stress social. A tecnologia faz-nos descobrir maneiras novas de fazer as coisas. A mudança está nas pessoas, pode-se ter a solução tecnológica, mas se não for acompanhada pelas pessoas, não vamos a parte alguma. Um país como Cabo Verde, espalhado por ilhas, começa a criar um stress, uma necessidade de adaptação.

Requer também que essas tecnologias funcionem bem, boas ligações de Internet, energia eléctrica fiável, antes de se pensar em parques tecnológicos.

É verdade. A energia é um calcanhar de Aquiles. Nós, que somos uma pequena empresa, este ano estivemos paralisados dezenas de dias. Uma sociedade de informação sem energia, não funciona.

Os especialistas dizem também que antes do cluster é preciso planear o take-off, onde é que se vai levantar, qual será o enfoque. Já têm alguma ideia?

Não temos. Porque não existe uma construção conjunta desse cluster TIC. O país tem de tomar a sua decisão.

Mas depende de quem? Do estado? Dos privados?

De ambos. Ninguém impede os privados de se auto-organizarem para influenciarem o estado nessa construção do cluster. A verdade é que o mercado em Cabo Verde, cerca de 70 por cento é o estado. E o estado tem de perceber que não pode ir sozinho, tem de ir com os privados. Os privados têm de perceber que têm de juntar-se para lutarem por aquilo que querem, senão ficamos só a ver o barco a passar.

 

Como está esse processo, e estou a falar em relação aos privados, há uma concertação entre operadores?

As empresas ainda estão muito divididas. Grande parte dos empresários são jovens, e muito vezes estão completamente imersos em tarefas diárias, preocupados em pagar os salários, não há ainda estabilidade. Quem tem uma empresa exerce mil e uma coisas dentro da estrutura e não tem tempo para pensar. Apesar disso, neste último ano, melhorou muito o diálogo entre os privados e o estado. Têm havido fóruns, encontros informais, e os privados estão a ganhar capacidade de influência, capacidade de participar no que o estado tem para oferecer, como cliente e mesmo como parceiro de internacionalização.

Falou há pouco do mercado africano. E os PALOP, com Portugal, Brasil e Timor incluídos, não será um mercado também a explorar?

Aposto mais nos mercados africanos, Angola, Moçambique, São Tomé do que no Brasil e Portugal.

Os outros mercados são complicados para entrar?

Não sei se estaremos com capacidade para fornecer serviços a países como o Brasil. Pode ter os seus problemas, mas é um grande país. A nível de sociedade de informação tem uma dimensão que para nós é imensurável. Quer dizer, o Brasil deve ter mais programadores que toda a nossa população. Não podemos nem pensar, no contexto actual, em exportar para o Brasil. Portugal é a mesma coisa. Basta ver os avanços que tem em termos de sociedade de informação. Por outro lado, há a possibilidade de exportar para Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e mesmo para outros países da costa ocidental africana.

Nem oferecendo custos mais baixos?

Não tenho a certeza. A energia em Cabo Verde é cara, a Internet não é fiável, há uma série de problemas. Não é só a capacidade intelectual que vale, é preciso um conjunto de factores.

Por exemplo, a Índia e a China oferecem serviços de offshoring, mas já têm tantos que eles próprios já estão a procurar outros países para fazerem esse mesmo offshoring.

Mas isso tem sempre a ver também com o fuso horário, porque esses serviços também funcionam nesses moldes. Para nós, é mais fácil servir Portugal, Espanha, esses países mais perto, do que fornecer ao outro lado do mundo.

Já falámos do esforço privado, do esforço do estado. Sabemos também que há países a apostar em smart villages para atrair o investimento estrangeiro, na justiça, nos impostos, tudo isso serve para chamar empresas. Acha que em Cabo Verde há ainda um longo caminho a percorrer?

Sim. Alguns países fizeram planos conjuntos para desenvolver a sociedade de informação. Um consórcio público/privado. E depois adoptaram medidas do género: durante X anos as empresas pagavam os impostos e esse dinheiro era reinvestido nos projectos que tinham concebido. Essa é uma maneira de promover o desenvolvimento. Nós não temos nada disso. Temos isenções fiscais em computadores, mas que nada beneficiam o sector empresarial local. Os computadores são feitos lá fora. São outras empresas a ganhar. Não temos subsídios para os intangíveis, para os serviços. Por exemplo, se a minha empresa quiser fazer um programa de gestão para consultórios dentários não tenho nenhum incentivo. São necessários subsídios para intangíveis, não para o material. Porque um computador sem programador não serve para nada.

Outro problema é a mão-de-obra especializada.

As certificações tecnológicas são muito caras. Eu tenho uma solução. Uma vez que o estado gasta muito dinheiro em formações para os seus técnicos, conhecimento que fica só para eles, devia abrir essas formações para a academia. Fazê-las nas universidades públicas e mesmo nas privadas. Em vez de fazer uma formação para dez técnicos do NOSi poderia fazê-la para cem alunos. Convém mover essas formações para além da função pública. O mercado de trabalho cabo-verdiano não é só o público, muito pelo contrário.

E a aposta das universidades, é suficiente ou são precisos mais cursos virados para as novas tecnologias?

Nas universidades ainda temos um problema. Mesmo que se aposte nesses cursos tecnológicos, muitas vezes não passam de cópias do que se faz em Portugal. Só para dar um exemplo, a Universidade de Coimbra tem oitocentos anos, há um percurso que não pode ser apanhado e metido numa universidade que nasceu ontem. Temos que ousar, inovar, essa educação, não tem de ser uma cópia das universidades tradicionais. É um problema porque os conteúdos não são adaptados. Outro problema é o pessoal docente. Na parte tecnológica são professores que funcionam a avenças. Trabalham em empresas, ou têm outra actividade profissional e fazem uns biscates nas universidades. Isso não estimula a excelência.

Muito menos a investigação.

Muito menos a investigação. Depois, há aquela filosofia que os professores universitários têm de ser equiparados. Não acho que deva ser assim. Um professor universitário que está nas áreas TIC tem de estar constantemente actualizado. Tem um esforço adicional que um professor de história, por exemplo, não tem. Querer pagar a um profissional TIC o mesmo que a outro professor qualquer não o estimula em nada. Porque, lá está, é mais vantajoso ele ter um trabalho qualquer e fazer esse biscate na universidade. E temos ainda um sistema de ensino que tem de se preparar para a literacia visual. Agora é tudo visual. Mas nós, só na primária é que pomos as crianças a desenhar, depois é só texto, texto, texto. Mas hoje o mundo é visual. Não concordo quando se diz que as crianças hoje não gostam de ler. A verdade é que elas estão a aprender de outras formas, seja na playstation, seja na Internet. Estão a aprender visualmente, e não da forma tradicional, que as universidades estão a perpetuar.

Regressando à questão dos privados e do estado, e de terem de se juntar, a minha pergunta é como?

Cada um tem os seus valores. Eu como cidadão, o que espero do estado não é o mesmo que espero da empresa onde trabalho. Do estado espero coesão social, saúde, educação, não vejo o estado a querer lucrar. A empresa é que tem de ter essa preocupação de sustentabilidade. É preciso harmonizar esses valores. As empresas podem ter também uma actividade social, mas não é essa a sua missão. O estado pode ter alguma actividade empresarial, mas não é essa a sua vocação.

Ou seja, o próprio estado não pode fazer concorrência às empresas do país.

Mesmo pelo que disse há bocado, 70 por cento do mercado é do estado, e o estado só ganha tendo no mercado empresas competitivas. Por exemplo, se o governo dos Estados Unidos da América fizer uma escolha "este ano vou comprar computadores da IBM" está a fazer uma aposta forte nessa empresa, mas ao mesmo tempo, é um estímulo para as outras empresas que estão no mercado, se eu conseguir elevar a qualidade dos meus serviços, do meu material, amanhã serei eu o escolhido. E é com isto que o estado deve jogar. O que os privados têm como percepção, pelo menos a nível das TIC, é que não há espaço para eles, porque o estado disse "posso fazer tudo".

Estamos novamente a falar do NOSi?

(risos) Isso leva-nos ao que disse há bocado, de não haver diferenças entre o executor e o promotor. O NOSi deve estar atento ao feedback que tem recebido. Afinal, o país é construído por todos.

Um desses feedback é a falta de informação.

Isso tem a ver com políticas claras. Como é que vamos internacionalizar? Como é que vamos criar empresas? Como é que vamos incentivar? Não há essa informação. Isso tem a ver também com esse conflito de competências. Porque ele está a executar e relaxa um pouco na promoção, ou vice-versa. A execução consome tempo e recursos.

O NOSi disse que faz concursos, mas que 70 por cento são ganhos por empresas internacionais porque em Cabo Verde falta eficiência e qualidade.

Isso tem muito que se lhe diga. O problema é que o NOSi não diz claramente o que vai fazer. Ninguém sabe, no início do ano, quais são os projectos do estado na área da tecnologia. Se não o sabemos não podemos propor nem preparar esses serviços. Não estou de acordo com essa ideia que o sector privado não está preparado. Há uma impreparação geral, porque ninguém planeia, ninguém informa. Só no último ano é que começou a haver um diálogo mais frequente entre estado e privados.
Porque é que o estado faz esta concorrência aos privados?
O estado criou uma competência para determinados fins, a execução dos serviços do e-gov, é natural que esse organismo, que se expandiu tanto, agora não queira deixar o trabalho para os privados. A ideia inicial é deles.

O estado construiu um monstro e agora não o consegue controlar?

(risos) Não comento sobre isso.

Uma empresa TIC em Cabo Verde tem apoios do estado? Pode ir mais ou menos confiante para o mercado? Ou vai sempre a medo?

Posso falar do meu caso. O único apoio que a nossa empresa teve, em dois anos, foram umas bolsas de estágio que o IEFP oferecia para empregarmos alguém. Durante três meses, se contratássemos alguém, o estado comparticipava. Não sei de mais nenhuma iniciativa. E três meses de estágio não chegam para nada. Um universitário, no fim do curso, só tem uma preparação académica, qualquer empresa demora entre 6 a 8 meses para o integrar no mercado de trabalho. Mas atenção, o problema não é só o estado. As pessoas também têm uma mentalidade de assalariado, e não procuram avançar ou aprender mais. Querem é o seu salário e pronto.

Os limites estão na cabeça das pessoas.

É. As pessoas não querem correr riscos. Querem tudo de uma vez. Transportam a mentalidade que o emprego é para uma vida, quando já não é. Precisamos também de uma revolução de mentalidades.

Criar novas tecnologias também implica sonhar. Há essa capacidade em Cabo Verde?

Claro, por isso é que criamos empresas, com base nos sonhos. Temos de ver positivo. Os problemas, já sabemos, aparecem. O que interessa, é saber tirá-los do caminho.

 


 

 

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