PEDRO CENTEIO CENSURADO POR “A NAÇÃO”
Ao que parece, os candidatos não são todos iguais. Que o diga Centeio que, primeiro com explicações sui generis do jornalista e, posteriormente, sob o silêncio da administração, não viu uma entrevista sua publicada no semanário. Liberal publica-a na íntegra
Praia, 14 de Maio 2012 – Pedro Centeio, o candidato independente à Câmara Municipal dos Mosteiros, revelou ao Liberal estar “profundamente indignado” com a atitude de “A Nação” que, segundo ele, censurou uma entrevista concedida a um jornalista daquele semanário.
Contactado em 13 de Maio, por um jornalista, com uma proposta de “uma conversa aberta” sobre a candidatura independente “para falar dos projectos, motivação da candidatura, metas etc.”, Pedro Centeio de pronto anuiu e respondeu a todas as questões colocadas.
No entanto, mesmo assim, a entrevista não foi publicada conforme o combinado pelo jornalista. Centeio não desarmou e pediu explicações, tendo recebido, por correio electrónico, uma resposta sui generis, que Liberal reproduz na íntegra, sem qualquer correcção: “Boa tarde Sr. Pedro Antes de Mais eu gostaria de pedir te desculpas pelo facto da conversa tivermos não ter saído no jornal. Fiz um resumo para o online sim, mas havia uma outra parte que ia ser publicado no jornal papel, na sessão dedicado as autárquicas. Mas infelizmente houve um problema na grafica em que alguma pagina não sairam e otras duas vezes como foi o caso da entrevista com o Presidente da Assembleia Nacional, se reparres uma pagina saio duas vezes em vezes de sair outra materia. houve tambem publicidade que já tinha sido excluido que entrou. e infelizmente a autarquica não entrou. pedimos desculpas”…
O último contacto de Centeio com “A Nação”, também por e-mail, ocorreu a 7 de Maio, mas mesmo exigindo que “a direcção do jornal nos esclareça devidamente a que se deveu esta diferenciação para com a nossa candidatura, sendo que nos permitimos antecipar que o mesmo não teria acontecido com outras de suporte partidário”, a resposta nunca chegou ao candidato que se insurge contra o “défice de igualdade no tratamento jornalístico do jornal A Nação” e, cansado de esperar por uma resposta, contactou o Liberal que, de imediato, se prontificou a publicar a entrevista, na íntegra (e sem qualquer correcção), concedida àquele jornal.
ENTREVISTA DE PEDRO CENTEIO CENSURADA POR “A NAÇÃO”
A NAÇÃO - GOSTARIA DE SABER SE A SUA CANDIDATURA COMO INDEPENDENTE É IRREVERSÍVEL?
PEDRO CENTEIO - Completamente irreversível. Esta candidatura fez um percurso cauteloso dando as oportunidades necessárias para uma convergência de candidaturas na base do PAICV desde que pudesse realmente responder aos anseios da população com um projeto e equipa renovados que permitisse ser amplamente sufragada. Gorada essa possibilidade não fazia sentido desistir dos projetos e das vontades mobilizadas, até porque o interesse do município esteve sempre à frente do interesse pessoal. Quem me conhece sabe que sou ponderado nas minhas decisões, aconselhei-me junto das pessoas mais próximas e quando decidi avançar fi-lo porque entendi que tinha condições para apresentar propostas relevantes e no interesse dos Mosteiros, e hoje esta é uma candidatura incontornável no quadro das próximas eleições autárquicas. Com um grupo de cidadãos vamos criar o C.I.G.A. Mosteiros (Candidatura Independentes Ganhar Autárquicas nos Mosteiros) com uma lista que aposta forte nas pessoas e um projeto alternativo para desenvolver o concelho.
QUAIS AS MOTIVAÇÕES PARA A SUA CANDIDATURA?
A minha candidatura tem como motivação maior servir o concelho. Preocupa-me que o nosso concelho continue a ser ultrapassado por municípios que apenas alguns anos antes apresentavam um grau de desenvolvimento menor, e esta perda acontece pela simples razão de Mosteiros não saber aproveitar as suas potencialidades. Custa-me a aceitar que Monte Bedja esteja fora da gestão do município dos Mosteiros; preocupa-me que não exista uma política assertiva para atrair financiamento para o concelho; fico desconfortável quando vejo a quantidade de jovens que concluíram a sua formação (alguns às custas de muito sacrifício das suas famílias) e não têm perspectivas de emprego. Nestes últimos anos tenho dividido a minha vida entre a Lisboa, Paris e o meu querido concelho dos Mosteiros, esta permanente proximidade permitiu-me tomar o pulso aos anseios e desejos da população e que agora se materializam nesta candidatura.
QUAL A META QUE PRETENDE ATINGIR?
Obviamente que pretendo vencer. Tenho consciência das dificuldades de afirmação de uma candidatura independente mas a cada dia que passa, e dos contactos que venho desenvolvendo no terreno, percebo que a população dos Mosteiros encontra-se mais madura e ponderada nas suas opiniões. Esta abertura de espirito da população aumenta as oportunidades de uma candidatura independente, mais ainda quando existe muita gente descontente com Fernandinho Teixeira e anseia por um presidente da câmara e uma equipa competentes para tratar de forma séria assuntos como falta de emprego, participação dos jovens na construção do concelho, melhorar as condições de habitação ou ainda como atrair financiamento para o concelho.
O SENHOR JÁ FEZ A SUA DESVINCULAÇÃO DO PAICV PARA PODER CONCORRER COMO INDEPENDENTE CONFORME MANDA O CÓDIGO ELEITORAL CABO-VERDIANO? SE NÃO QUANDO QUE VAI FAZER?
Este assunto é recorrente nas entrevistas. Deixe que lhe diga no rigor da palavra uma desvinculação do partido não será necessário porque não tenho cartão para devolver, entristece-me sim um desavir quando para mais de 20 anos me dedico às causas do partido e da comunidade cabo-verdiana em Portugal, e muitas das vezes elas se confundiram tal era a necessidade de resolver questões importantes como a legalização, a capacitação e integração dos imigrantes na sociedade portuguesa, discutir e encontrar soluções para os problemas da juventude etc… Pouca gente em Portugal ter-se-á dedicado como eu fiz às lides em nome da comunidade cabo-verdiana e do partido sem nunca reclamar atenção ou agradecimento. Esperava merecer a confiança do PAICV para apresentar um projeto alternativo para o concelho que me viu nascer, mas infelizmente as bases tinham a decisão tomada e com tamanha falta de entendimento democrático acabaram por ostracizar a minha candidatura. Neste momento somos uma candidatura aberta à sociedade onde as pessoas são escolhidas não pela sua cor partidária, familiaridade ou conchavo, mas por serem qualificadas e competentes.
QUANDO É QUE O SENHOR VAI FAZER A APRESENTAÇÃO PÚBLICA DA SUA CANDIDATURA?
Neste momento estou a finalizar as listas para a câmara e para a assembleia, conto fazer a apresentação pública nos proximos dias. Sabe tenho recebido muitos apoios e embora fique espantado com a falta de democraticidade de gente ligado ao atual executivo que tudo tem feito para dismobilizar a minha candidatura, continuo empenhado e vou levar esta candidatura até ao fim, doa a quem doer.
QUEM SÃO OS SEUS APOIANTES?
Os meus apoiantes são todos os Mosteirenses em Cabo Verde e no exterior que comungam comigo deste desiderato, não seria correto destacar um ou outro apenas pelo simples facto de ser uma figura mais pública. Gostaria no entanto de destacar a juventude no município que tem demonstrado uma forte ligação a esta candidatura, também em conversa com comerciantes e figuras relevantes do município encontro boa aceitação ao projecto que venho apresentando.
TENDO EM CONTA QUE AS ELEIÇÕES TEM UM CUSTO ENORME EM CABO VERDE, GOSTARIA DE SABER SE EXISTE ALGUMA ENTIDADE OU GRUPO QUE VAI AJUDAR LHE COM AS DESPESAS NAS CAMPANHAS?
A minha candidatura conhece a importância do financiamento para este projecto, ainda mais pelo facto de não ter a força de um aparelho partidário. Desta feita, desde Fevereiro que me encontro em visitas às comunidades no exterior como Portugal, França e Luxembourg, também em Cabo Verde tenho feito contactos com empresários e amigos dos Mosteiros, dando assim continuidade à recolha de subsídios para a plataforma eleitoral e financiamento do caderno de encargos. Disse que neste momento somos uma candidatura aberta à sociedade e todos os apoios são bem-vindos, não temos a pretensão de ombrear com as candidaturas tipo Golias mas contamos ser assertivos e capazes como David para derrotar qualquer gigante. Existem ainda outras formas de financiamento que estamos a considerar recorrer para tornar mais robusta esta nossa candidatura.
CASO FOR ELEITO PRESIDENTE DA CÂMARA DOS MOSTEIROS QUAIS OS SECTORES EM QUE VAI APOSTAR PARA TRANSFORMAR O CONCELHO?
Para o município proponho um caminho rumo ao desenvolvimento, só possível em estreita colaboração com os cidadãos, instituições e empresas, seguindo uma estratégia arrojada e responsável, valorizando sempre e primeiro as pessoas. Turismo, Pescas e Agricultura, são áreas chave para o projecto de um Mosteiros diferente, ambicioso e organizado que pretendo implementar, tudo isto só será possível com um executivo competente.
COMO FAZÊ-LO?
Antes de mais apostando numa equipa que conhece a fundo o município, estamos neste momento a construir a lista que como referi não olha à cor partidária mas sim à competência e mais-valia que pode acrescentar à equipa. Estamos a recolher contributos dentro e fora de Cabo Verde daqueles que connosco partilham da vontade de ver desenvolver o concelho, acreditamos que só assim o nosso projecto será estruturante e completo.
QUAIS SÃO OS SEUS PROJECTOS PARA O DESENVOLVIMENTO DOS MOSTEIROS?
Defendo que a função da câmara não deve ser a de se substituir aos privados, até por razão da sua incapacidade financeira, a solução passa por criar condições para atrair parceiros nacionais e internacionais para investirem no concelho. Parte deste investimento pode ser focalizado no turismo rural e de aventura que encontra no nosso concelho condições excelentes para sua dinamização, não precisamos de grandes unidades hoteleiras para aumentar a capacidade de camas nos Mosteiros. Através do turismo rural permitimos que os turistas tenham um contacto mais genuíno e directo com o concelho e as tradições locais e ainda uma hospitalidade em ambiente rural e familiar. Com esta iniciativa damos condições às próprias famílias de participarem neste processo acolhendo os turistas nas suas habitações (desde que devidamente credenciada pela autarquia), e recebendo pela dormida. Mais, temos condições excelentes para o turismo de aventura, onde um nicho importante pode ser explorado com o desenvolvimento de condições para as práticas de caminhada, bicicleta de montanha, rapel, asa delta, mergulho entre outras; A agricultura e as pescas precisam de um reforço urgente para passarem de sectores que permitem apenas a subsistência dos que o praticam, para se tornarem importantes forças de desenvolvimento económico do município; Entendo ainda que devemos apoiar as empresas locais para que assim possam criar novos empregos, as nossas empresas e empresários são a melhor garantia de emprego e são geradores de riqueza; Na Educação definir melhor as estratégias para um sector um sector fundamental porque investir nas gerações vindouras traz garantias de desenvolvimento; A protecção social porque o apoio aos mais desfavorecidos deve ser uma preocupação permanente num concelho onde muitos são os que precisam do básico para sobreviver.
JA TEM O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA?
Sim. Procurei encontrar um parceiro que comigo partilhasse do projeto de um Mosteiros desenvolvido, alguém que tivesse o carinho pelo municipio e estivesse disponivel para trabalhar no seu engrandecimento. Seu nome Eugénio Lopes, ligado às artes e cultura pereceu-me a melhor opção. Nestes ultimos dias depois de aturada conversa consegui confirmar as nossas vontades.
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